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50 anos da morte de Oswald de Andrade. Não podia deixar passar em branco...

A obra de Oswald de Andrade (1890 - 1954) representa um dos cortes mais profundos do Modernismo brasileiro em relaçao à cultura do passado. Paulista, de familia rica, Oswald cursa Direito e ingressa na carreira jornalistica. Em 1911 funda a revista semanal O Pirralho, que com Alcântara Machado e Juó Bananère, dirige ate 1917, quando é fechada. Nesse mesmo ano, em sua coluna no Jornal do Comercio defende Anita Malfatti das criticas de Montero Lobato. Viaja freqüentemente à Europa; faz varias amizades e entra em contato com as vanguardas, trazendo-as para o Brasil, onde assume papel de liderança.

Em 1926, casa-se com Tarsila do Amaral.

Em 1929, sofre forte abalo financeiro com a crise de 29. Em 1930, casa-se com pela quarta vez com Patricia Galvao (a Pagu). Milita nos meios operarios no ano seguinte e ingressa no Partido Comunista, no qual permanece ate 1945.

Oswald sempre foi debochado, ironico e critico, pronto para satirizar os meios academicos ou a propria burguesia da qual fazia parte.

Sem ser ingenuo e ufanista, defendia a valorizaçao de nossas origens, de nosso passado historico-cultural, mas de forma sempre crítica, parodiando, ironizando e atualizando nossa historia de colonizaçao. Ao mesmo tempo que procura captar a natureza e as cores proprias do país, flagra igualmente as contradições moderno-primitivas de nossa realidade.

Rompe com os padrões da lingua literaria culta e busca uma prosodia brasileira, que incorporasse todos os "erros"gramaticais, vistos como verdadeiras contribuições para a definição da nacionalidade.

Quanto à construção dos textos, Oswald cria uma linguagem nova que se caracteriza pela síntese, pelas rupturas sintaticas e logicas, pelas imagens bruscas, pela fragmentação e, as vezes, pela tecnica dadaista do ready-made. Esta pode ser observada em poemas criados a partir da linguagem estereotipada de convites de festas formais por exemplo.

A principal expressão em prosa do escritor são os romances Memorias Sentimentais de João Miramar (1924) e Serafim Ponte Grande (1933), umbilicalmente ligados às ideias dos movientos Pau-Brasil e Antropofagia. Essas obras apresentam o amadurecimento e a radicalização do emprego de certas tecnicas ainda incipientes como a mescla de prosa e poesia, estrutura fragmentaria, estilo elíptico e telegrafico, sátira paródica, linguagem jornalística, aproveitamento de lugares comuns da linguagem cotidiana, como discursos, bilhetes, anotações, cartas, etc.

No teatro, sua contribuição ocorreu apenas na década de 30, com o lançamento de três importantes peças: O Homem e o Cavalo (1934), O Rei da Vela (1937) e A Morta (1937). O Rei da Vela, sem dúvida, a mais significativa, tanto pelas inovações tecnicas que apresenta em relação à epoca, quanto pelo retrato e pela crítica que faz da sociedade brasileira dos anos 30. A montagem dessa peça nos anos 60, impulsionou o surto tropicalista com grande repercussão. No papel inovador de sua criação poetica encontra-se o humor misturado ao lirismo, a piada e a imaginação, os lugares-comuns, a concisão, a fala popular, a caricatura da retórica, a ironia, os flashes cinematograficos, as rupturas sintaticas, a fragmentação, o corte metonímico, a preocupaçao com o visual e a poesia-cartaz - que será mais tarde aproveitado e desenvolvido na poesia concretista; com os poetas Augusto e Haroldo de Campos, Décio Pignatari.

Estará presente tambem no movimento tropilalista. É a vez de a música popular brasileira buscar na sua poesia a raiz antropofágica.

A vida e obra de Oswald de Andrade é bem mais intreressante e complexa do que esse simples resumo. Sei q cometo um assassinato. Nos proximos textos terao mais sobre ele e sua influencia na cultura da epoca. 



 Escrito por cabelinho de fogo às 11:35 PM
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