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Rainha do Teatro: Cacilda Becker

Cacilda na peça Adorável Júlia

Cacilda Becker Yáconis (paulista de Pirassununga, nascida em 6 de abril de 1921) era a "mãe" da classe teatral, aquela que protegia os colegas das arbitrariedades do regime militar contra a liberdade de expressão. Mas foi, principalmente, uma das atrizes mais brilhantes do teatro brasileiro. Em 30 anos de carreira, encenou 68 peças, onde fez interpretações apaixonadas que poucos dizem ter visto igual. Teve uma rápida passagem pela companhia Os comediantes, de Ziembinski, e logo depois foi para o Teatro Brasileiro de Comédio, o TBC, onde ficou dez anos. Saiu em 1958 para montar sua própria companhia, Teatro Cacilda Becker, que dirigiu até o final da vida.

Ela costumava dizer que foi a infância miserável que a transformou numa mulher forte. O pai abandonou a família e a mãe, uma professora primária, criou as três filhas - Cacilda, Cleyde e Dirce - sozinha, com muita dificuldade. Mudaram-se para Santos, litoral de São Paulo, onde conseguiu vaga para estudar num "bom colégio", mas foi obrigada a sair da sala de aula porque não pagava as mensalidades. A sorte foi ter aprendido a dançar em Pirassununga. Passou a dar recitais para pagar a escola. Dançava descalça; primeira vez que colocou um calçado nos pés foi aos 14 anos.

Uma mulher pequena e magra que, quando pisava no palco, virava um gigante. Ziembinski, com quem Cacilda trabalhou, costumava dizer que a amiga "era uma mulherzinha frágil, que não pesava nada, mas fazia empreendimentos enormes". Trabalhando, Cacilda era disciplinada, sempre a primeira a chegar e a última a sair nos ensaios. Além da miudeza física, tinha uma voz fraquíssima que fazia com que os diretores evitassem que ela precisasse cantar em cena. Numa das vezes, esbravejou: "Vou cantar e ponto final. Sou Cacilda Becker e quando finjo que estou cantando todo mundo acredita." E era exatamente o que acontecia.

Durante o ano de 1968, foi presidente da Comissão Estadual de Teatro, em São Paulo, subordinada à Secretaria de Cultura, mas continuava indo às manifestações contra a censura organizada pela classe teatral. Em 1969, montou a peça Esperando Godot, de Samuel Beckett, onde trabalhava ao lado do marido, o ator Walmor Chagas. Durante o intervalo de uma apresentação, Cacilda apoiou-se em Walmor e disse suas últimas palavras: "Acho que estou tendo um derrame cerebral." Um aneurisma cerebral fez a atriz sofrer um martírio de 45 dias de internação. Uma multidão de pessoas ficou de vigília durante todo o tempo na frente do hospital. Morreu aos 48 anos em 1969.

EM CENA
· Pega-fogo (1950)
· Longa jornada noite adentro (1958)
· Quem tem medo de Virgínia Woolf? (1965)
· Esperando Godot, de Samuel Beckett (1969)

 



 Escrito por cabelinho de fogo às 12:21 AM
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