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Essa tinha personalidade forte. rs...

*** veja curiosidades no link da foto.

Adalgisa Nery (1905 - 1980) nasceu na cidade do Rio de Janeiro. Casou-se com o pintor Ismael Nery aos 16 anos de idade, passando a conviver com intelectuais da época, entre os quais Manuel Bandeira, Murilo Mendes, Aníbal Machado e Jorge de Lima. Com o falecimento de Ismael (1900-1934), inicia sua carreira literária publicando seu primeiro trabalho em 1935, na Revista Acadêmica, passando a contribuir com vários periódicos. Em 1940, casou-se com Lorival Fontes, que foi nomeado embaixador do Brasil no México. Com isso, a escritora passou a freqüentar a elite intelectual daquele país, tendo sido retratada por Diogo Rivera e amiga de Frida Kalo. De volta ao Brasil, após sua separação, iniciou sua carreira como articulista política, tendo escrito, de 1954 a 1966, uma coluna diária no jornal Última Hora sob o título "Retratos sem retoque". Foi eleita deputada por dois mandatos — 1962 e 1966. Foi cassada pela Junta Militar, em 1969. Deprimida, faleceu em um abrigo de idosos, no Rio de Janeiro.

 

Filme conta a vida de Adalgisa Nery

É Ismael e Adalgisa, nome do média-metragem que mistura ficção e documentário, dirigido pela videomaker Malu de Martino. A grande estrela da produção é a mulher do artista Ismael Nery, a escritora e poeta Adalgisa Nery (1905-1980), cuja incursão pela literatura, jornalismo e política é esmiuçada na tela. Ismael é interpretado pelo ator Murilo Rosa. Ao longo dos 33 minutos do filme, ele aparece apenas para referenciar o passado de Adalgisa, vivida alternadamente por Samantha Nery (neta da escritora) e por Christiane Torloni. O relacionamento apaixonado do casal é testemunhado pelo poeta mineiro Murilo Mendes (Bruno Garcia), amigo de ambos.

O filme se debruça sobre Adalgisa porque é inspirado em um de seus mais importantes livros, A imaginária, onde ela conta sua vida até a morte de Ismael, aos 33 anos, vítima de tuberculose. A intenção é jogar um pouco de luz sobre Adalgisa para estimular o interesse por sua produção. Embora tenham realizado obras diferenciadas, tanto Adalgisa quanto Ismael mantiveram intensas ligações com a religião e o poder. É compreensível, portanto, que as personalidades de ambos acabem disputando a atenção do espectador.

O filme expõe o boom criativo da escritora logo após a viuvez. Ismael viveu intensamente sua vida. Adalgisa construiu seu nome a partir da destruição, já que só se descobre como escritora depois da morte do marido.

Através de depoimentos dos filhos da escritora, o filme mostra como ela se aproximou da política, em 1940, depois do casamento com Lourival Fontes, chefe do Departamento de Inteligência e Propaganda do governo de Getúlio Vargas. Ao separar-se, nos anos 50, ela continua envolvida com o poder, através da coluna Retrato sem retoques, que assinava no jornal A Última Hora, chegando a ser eleita deputada pelo PSB em 1960 e tendo seus direitos cassados após o AI-5. O personagem de Murilo Mendes (1901-1975) aparece no filme como narrador. Quanto ao suposto romance entre ele e Adalgisa, que se corresponderam durante décadas, é apenas insinuado como um amor platônico. Como uma espécie de amor intelectual.

Algumas obras da autora: O jardim das carícias (1938), As fronteiras da quarta dimensão (1951) e A imaginária (1959).



 Escrito por Sininho às 12:42 AM
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